sábado, 3 de fevereiro de 2018

Ourém - 19 Janeiro 2018


Um dinossauro chamado Afonso



Interessar-se pela história de Ourém (e arredores!) é tropeçar fatalmente em D. Afonso, IV Conde de Ourém. Ou, como dizia sistematicamente o nosso simpático guia, D. Afonso IV, Conde de Ourém.

Neto paterno de D. João I e materno de D. Nuno Álvares Pereira, era um dos homens mais poderosos do reino e esteve do lado dos vencedores, no processo que conduziu à batalha de Alfarrobeira.

O que de mais interessante se pode hoje visitar no conjunto apelidado de “Vila medieval de Ourém” é obra, digo, encomenda sua.

O castelo


O castelo original data do século XII...


... mas o Conde mandou realizar melhoramentos e alterações importantes :



O paço
 

Construído no interior das muralhas, o paço dos Condes de Ourém revela - nomeadamente pela alternância de tijolo com a pedra - influências italianas, que D. Afonso colheu, nas suas viagens pela Europa
 

 A fonte gótica



 Até o terramoto de 1755 destruiu a igreja da Colegiada  mas deixou intacto o túmulo da eminência parda, na sua cripta.




 Em Ourém terá existido uma judiaria, na qual se situaria este pano de muro em ruínas:





O belíssimo pelourinho de Ourém, datado de 1620


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Se durante a manhã andámos imersos na idade média, à tarde recuámos muitos milhões de anos.


 

 Com efeito, terá sido há cerca de 175 milhões anos que uma espécie de dinossauros a que foi dado o nome de saurópodes andaram a passear-se pela Pedreira do Galinha.


O próprio processo de formação das pegadas justifica a sua conservação










Webgrafia:

Biografia de D. Afonso, IV Conde de Ourém
D. Afonso, IV Conde de Ourém, na revista do Instituto de Estudos Medievais da FCSH

Monumento Natural das Pegadas dos Dinossáurios da Serra de Aire (site oficial; já precisava duma renovaçãozinha...)

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Alcáçovas e Viana do Alentejo - 27 Outubro 2017

Há uns anos largos, passei por Alcáçovas e fiquei desolada / curiosa acerca daquele edifício em ruínas. Vim a saber que se tratava do Paço dos Henriques, onde, no século XV, foi assinado o Tratado de Alcáçovas.
Esperei (im)pacientemente pela sua recuperação. E foi ele o pretexto para este circuito.

Sem que esteja completamente provado, crê-se que seja este o local de um antigo Paço Real, mandado construir por D. Dinis, que elevou a terra ao estatuto de vila e lhe deu foral.
No século XV a importância da vila cresceu, tendo D. Afonso V concedido o seu senhorio a D. Fernando Henriques. D. João II doou a vila à família dos Henriques.
No Paço, além da cerimónia já referida foram realizados os casamentos de várias princesas.
O actual edifício do Paço resulta de uma reconstrução efectuada durante o século XVII sobre os espaços pré-existentes, dos séculos XIV / XV.

Aspectos do exterior do Paço, agora já compostinho:










No Paço, encontrámos uma exposição de cartoons de Luís Afonso



Vistas do interior para o exterior do Paço:





Do outro lado da (actual) rua fica a capela do Paço, construída no século XVII. Inicialmente da invocação de S. Jerónimo e posteriormente de Nossa Sra. da Conceição, é popularmente conhecida conhecida como "Capela das Conchas", adiante se verá por que razão.



No interior, as paredes e tecto da capela são totalmente revestidos utilizando a "arte dos embrechados":


 



Também no jardim / horto contíguo surgem aplicações da mesma arte:

D. João Henriques, ido e perdido na batalha de Alcácer-Quibir




O Paço dos Henriques será agora uma espécie de "centro cultural" da vila. Que nos pareceu um pouco sobredimensionado, dadas as características e dimensão do território...



Igreja Martins, digo, Matriz de Alcáçovas

A arte do chocalho era o nosso outro objectivo em Alcáçovas. Por razões logísticas, não foi possível visitar o museu aí existente.
Mas já tínhamos assistido a um documentário, no Paço dos Henriques, e fomos deparar com uma exposição, em


VIANA DO ALENTEJO



Fases de fabrico do chocalho


A exposição dedicada a esta família de tradição na "arte chocalheira", aproveitava o espaço da Igreja da Misericórdia, actualmente desactivada


Tanto esta igreja como a igreja de Nossa Sra. da Assunção (igreja matriz), ambas atribuídas a Diogo de Arruda se encontram no interior do recinto do castelo de Viana do Alentejo





Portal manuelino da igreja matriz



A igreja matriz, excelente exemplar do "gótico alentejano"




Lindíssimo cruzeiro, no terreiro do castelo. Virgem do leite e Pietà

Chafariz do Rossio das Hortas, uma das muitas fontes existentes em Viana. Nem parecia que estávamos no Alentejo!


O roteiro terminou no santuário de Nossa Sra. de Aires, nos arredores de Viana do Alentejo:


 
O baldaquino em talha dourada, um dos poucoss existentes em Portugal, não resistiu à má qualidade do equipamento fotográfico...


Webgrafia

Junta de Freguesia de Alcáçovas - locais de interesse