quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Quinta Alegre, 10 Fevereiro 2019

(Quantas vezes lá passei, no regresso da Malvazia, sem dar por ela!...)

O conjunto denominado Quinta Alegre foi mandado construir, no início do século XVIII, por Fernão Teles da Silva, primeiro Marquês de Alegrete. Este título foi atribuído por D. Pedro II ao então já segundo Conde de Vilar Maior, pela sua participação na conjura de 1640 e na subsequente Guerra da Restauração.

O palácio do Marquês de Alegrete, sua residência normal, situava-se na Mouraria e foi demolido em meados do século XX, durante as obras que deram lugar ao Largo do Martim Moniz

Desconhece-se a identidade do arquitecto autor dos planos do edifício, localizado na Charneca do Lumiar, ou de S. Bartolomeu. O sítio é o segundo ponto de observação mais alto de Lisboa, apenas superado por Monsanto.

Fachada lateral da Quinta Alegre, por onde é, desde sempre, feita a entrada


Façam favor de entrar!

Aquela que pode ser considerada a fachada principal situa-se nas traseiras do edifício, virada sobre o jardim:


No início do século XIX, encontrando-se a corte no Brasil, José Bento Araújo fez um contrato de utilização da Quinta Alegre, para a vida, durante o qual mandou efectuar algumas alterações, tal como é ainda patente no portão que antecede o espaço:


Em 1904 a propriedade voltou à família, que a vendeu em 1983 à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Após obras de recuperação que decorreram de 2014 a 2019, a SCML concretizou aqui a instalação de um projecto intergeracional.


No interior do edifício destacam-se azulejos do terceiro quartel do século XVIII, e um notável conjunto de frescos sobre escaiola, nas paredes e nos tectos.

Tecto da sala de entrada
Azulejo na parede da sala de entrada
Azulejos em espaços de circulação
Imagens do friso da sala de jantar
Pormenor do tecto da sala de música
 
"Trompe l'oeil na parede da sala de jantar e pormenor do respectivo friso
  

Pormenor de outro tecto
Pormenores da "sala naturalista":




A nora, no jardim
Webgrafia:
Quinta Alegre na Wikipedia
Quinta Alegre no site da DG do Património Cultural (desactualizado quanto ao estado actual do edifício)
Quinta Alegre: uma quinta de veraneio nos arredores de Lisboa / por Maria Alexandra Gago da Câmara e Teresa Campos Coelho (necessita registo e é necessário pedir autorização aos autores para aceder ao texto) Actaulização: foi publicado em livro - Quinta Alegre, um futuro útil

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Sintra, 7 Dezembro 2018 - Quinta da Ribafria

Não há muita informação disponível sobre a Quinta da Ribafria. E a existente repete sistemáticamente o mesmo curto texto, praticamente ipsis verbis.

Ou oito ou oitenta, desta informação miserabilista salta-se para uma tese de mestrado sobre "As quintas de recreio no século XVI em Portugal".

A meio caminho, com maior credibilidade que tudo o resto, a ficha do monumento, no site da DG do Património Cultural.

Até a nível prático a informação não flui: "Quinta da Ribafria?!!!!!", exclamou espantadíssima a minha interlocutora, quando liguei para o Turismo de Sintra, como se eu tivesse perguntado o horário do próximo shuttle para a lua. … ... ...

Dizem então as parcas e dispersas fontes que o conjunto foi mandado edificar por Gaspar Gonçalves, a  quem D. João IIII o titulo de Ribafria.

Ao longo do tempo - e nomeadamente no decurso do século XVIII - foram os seus descendentes efectuando algumas alterações arquitectónicas, sem contudo interferir grandemente na traça inicial do solar.

Chega o século XIX e com ele a falência da família Ribafria. A propriedade passa de mão em mão, em sucessivas hastas públicas, até que, já no início do século XX, é adquirida pela família Mello (sim, essa!). Não só o solar foi restaurado, como lhe foram acrescentados varios equipamentos mais condizentes com a época e a classe dos proprietários, piscina e campo de ténis, nomeadamente. Até o arq. Ribeiro Telles chegou a contribuir para a riqueza do local, com um projecto de arquitectura paisagista (1966).

Desde 1974 até agora ainda houve outros proprietários, até que em 2002 a Câmara Municipal de Sintra, exercendo o direito de preferência, adquiriu o conjunto.

De então para cá tem havido referências a (mais um) hotel de charme. Por esse ou outro meio / projecto, bem que o lugar merecia ser reabilitado. Visitå-lo, assim decadente, faz pena.

O dia tristonho que estava não faz justiça à beleza que o local encerra, não obstante a degradação











Cisterna



Ficámos com a sensação de que um dos pátios é utilizado como espaço para rodar as esculturas da Volta do Duche. Será?!





quarta-feira, 25 de julho de 2018

Évora, 18 Abril 2018 - Conventinho do Bom Jesus da Mitra

O Conventinho do Bom Jesus da Mitra, já meu conhecido, fez o pendant posperândico com as matutinas Casas Pintadas.

A mesma senhora - a responsável por este pólo da Universidade Évora - que já conhecia da outra visita, fez as honras da casa, desta vez durante muito mais tempo, aproveitando o(s) ombro(s) amigo(s) para desabafar mágoas  e frustrações.

A pobre coitada - como eu a entendo ! - , engenheira silvicultora de profissão, tem que se haver com a gestão dos mais desvairados assuntos, desde a produção agrícola à conservação e restauro do património, manutenção das instalações, etc, etc.

De todas as mazelas vai informando, das muitas necessidades vai dando conta, mas os superiores a quem reporta - eventualmente porque desprovidos de recursos - a nada dão despacho. E a degradação vai ganhando terreno.

Mesmo assim, foi com entusiasmo que nos mostrou as muitas jóias existentes na propriedade.

Esta teve origem na Quinta do Paço de Valverde, pertencente ao episcopado de Évora e destinada ao repouso e lazer dos clérigos da diocese. Em momento posterior, fundou o Cardeal D. Henrique um convento para frades capuchos.

Começámos pela capela do Convento, obra atribuída a um dos membros da família Arruda, o de nome Miguel - "tempietto italianizante, [...] revelador da influência dos modelos de Sebastião Serlio ou Francesco Giorgio Martini", diz quem sabe.

Fonte
 




Algumas das portas da Capela, a precisarem restauro, encostadas à parede

Belas imagens policromadas, no interior da Capela

O minúsculo claustro do Conventinho
Azulejos do tipo "corda seca", numa dependência anexa ao claustro
Na cerca do convento foi posteriormente (segunda metade do século XVII) construído o (belíssimo) Jardim de Jericó - ou "lago dos cardeais".








Disseminadas pela propriedade, existem várias outras pequenas capelas:

Capela de S. João Baptista

Capela de S. Teotónio
 Capela das Penhas:


 


Antigo lago no recinto do Convento